Imagem e linguagem. Para ver, devemos esquecer o nome do… | por David Price | Jun, 2023


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‘Spirit Of The Night’ – Philip Richard Morris

Para ver, devemos esquecer o nome da coisa que estamos vendo.

– Claude Monet

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“Durante cem anos ou mais, todos os livros didáticos de psicologia e psicoterapia aconselharam que algum método de falar sobre sentimentos angustiantes pode resolvê-los. Entretanto, como vimos, a experiência do trauma em si atrapalha a capacidade de fazer isso. Não importa quanto discernimento e compreensão desenvolvamos, o cérebro racional é basicamente impotente para convencer o cérebro emocional a sair de sua própria realidade. Fico sempre impressionado com a dificuldade que as pessoas que passaram pelo indizível têm de transmitir a essência de sua experiência. É muito mais fácil para elas falar sobre o que lhes foi feito – contar uma história de vitimização e vingança – do que perceber, sentir e colocar em palavras a realidade de sua experiência interna. Nossos exames revelaram como o pavor persistia e podia ser desencadeado por vários aspectos da experiência diária. Eles não haviam integrado sua experiência ao fluxo contínuo de suas vidas. Continuavam a estar “lá” e não sabiam como estar “aqui” – totalmente vivos no presente.”

– Bessel A. van der Kolk, The Body Keeps the Score: Brain, Mind, and Body in the Healing of Trauma (O corpo mantém o placar: cérebro, mente e corpo na cura do trauma)

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Sempre me ensinaram a “me acalmar” e a “usar as palavras”, mas essas palavras deveriam ser controladas, desapegadas, não emocionais, e não a insanidade emocional, caótica, bagunçada, louca e descontrolada que realmente estava acontecendo dentro de mim.

– Dena Barrett

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Quem somos e como vivemos é formado, mais do que imaginamos, tanto pela linguagem em que pensamos quanto pelas imagens que geramos e às quais reagimos. Essas duas coisas são fenômenos internos e externos. Eles atuam em nós de forma praticamente automática e inconsciente. Nós os consideramos a própria realidade em vez de interpretações. Geralmente, vivemos em um campo cultural estreito que tem limites inconscientes. Não sabemos o que não sabemos e não conseguimos ver o quanto isso nos torna pequenos.

Quando o senhor pinta ou medita, está tentando ver sem rótulos porque o rótulo, de alguma forma, esconde a essência da própria realidade. Essa é uma maneira incomum de se relacionar com a vida. Além disso, quando o senhor está tentando apreender a essência de uma emoção, é muito…